HORTA URBANA
A música HORTA URBANA nasceu no momento em que eu olhava distraido para um
ônibus passando com um banner na janela traseira escrito "Arte Urbana". Por algum motivo,
minha imaginação resolveu trocar algumas letras e de repente surgiu o título: Horta Urbana.
A partir desse pequeno "erro", a imaginação criou um verdadeiro delírio poético. Vieram
imagens, sons, cenas e perguntas. E se, no meio de tanto concreto, a natureza insistisse em
brotar? E se a delicadeza pudesse vencer a força bruta?
A música passeia justamente por esse contraste. De um lado, o progresso acelerado, o
cimento, a pressa. Do outro, a vida orgânica, a terra, as raízes e a possibilidade de regeneração.
Tudo isso aparece em uma atmosfera quase onírica, construída por uma instrumentação forte e
compacta mas cheia de nuances.
A introdução traz uma energia quase incontrolável, que bruscamente se transforma em
pura delicadeza. No refrão, a música coloca os pés no chão e convida a pensar sobre o que pode
nos faltar quando vivemos cercados apenas pelo concreto.
Mas, como de costume, nem tudo é contemplação. Há também a pitada de humor, ironia
e ambiguidade que gosto de colocar nas minhas composições. Afinal, às vezes uma boa
provocação traz perguntas melhores do que respostas.
Horta Urbana é um convite para ouvir, imaginar, sorrir e refletir. Quem sabe, depois dela,
você nunca mais passe por um canteiro, um muro, um jardim, — ou por um ônibus — do mesmo
jeito.
Paulo De Nadal
Curitiba, julho de 2026

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