Mano Cappu (Divulgação) Mano Cappu chegou aos meus ouvidos em maio de 2015, mas a história é longa. Em algum momento daquele ano (ou no final do anterior, não lembro mais), o Cilho deixou de trabalhar com o Cabes na produtora Track Cheio e cada um foi pra um canto. Cilho abriu então um pequeno estúdio em casa chamado Tiranossauro Rec (não confundir com o estúdio Tiranossauro Rec de Londrina (PR), que começou a funcionar apenas em 2022). Eu havia gravado na Track Cheio uma série de músicas para violão solo (que mais tarde vai dar origem ao meu primeiro e único EP) e encomendei, para uma das faixas, um beat do Cilho. O primeiro projeto dele, no novo estúdio, foi uma coletânea chamada "Beat Brazuca Vol. I", com 18 faixas, com beats que ele havia composto ou produzido. A minha faixa (Água com Gelo) abre a coletânea (ainda com meu nome antigo) e a faixa "Maloqueiro" do Mano Cappu é a segunda. Fiquei pensando: quem era aquele mano que falava na JK (importante avenida da Z...
Luis Cilho no programa "Manos e MInas" da TV Cultura (SP) - sd Quando a segunda geração do rap nacional (a saber, Emicida, Criolo, Projota e Rashid) começou a fazer sucesso ali por volta de 2011, fiquei bastante impressionada. O rap nunca foi um estilo bem visto pelo mundo da música, pelo menos não no mundo que eu estava. Havia um preconceito de linguagem, o que o pessoal do rap fazia era completamente diferente do que se ensinava na universidade. Havia também um preconceito social, o rap nacional vinha da periferia de São Paulo e a morte do rapper Sabotage em 2003 só piorou as coisas. Por isso, quando o sucesso veio para a segunda geração pensei: como esses caras conseguiram superar tantos obstáculos? Em busca de respostas passei a acompanhar de perto o trabalho de alguns nomes de sucesso daquele cenário. Apesar de conhecer alguma coisa do pessoal da primeira geração , praticamente deixei de lado o rap enquanto fui professora de música na escola pública (2005 - 2...