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Mostrando postagens de 2026

Mano Cappu, da CIC para o Mundo

Mano Cappu (Divulgação) Mano Cappu chegou aos meus ouvidos em maio de 2015, mas a história é longa. Em algum momento daquele ano (ou no final do anterior, não lembro mais), o Cilho deixou de trabalhar com o Cabes na produtora Track Cheio e cada um foi pra um canto. Cilho abriu então um pequeno estúdio em casa chamado Tiranossauro Rec (não confundir com o estúdio Tiranossauro Rec de Londrina (PR), que começou a funcionar apenas em 2022). Eu havia gravado na Track Cheio uma série de músicas para violão solo (que mais tarde vai dar origem ao meu primeiro e único EP) e encomendei, para uma das faixas, um beat do Cilho. O primeiro projeto dele, no novo estúdio, foi uma coletânea chamada "Beat Brazuca Vol. I", com 18 faixas, com beats que ele havia composto ou produzido. A minha faixa (Água com Gelo) abre a coletânea (ainda com meu nome antigo) e a faixa "Maloqueiro" do Mano Cappu é a segunda. Fiquei pensando: quem era aquele mano que falava na JK (importante avenida da Z...

Luis Cilho e sua trilogia no rap em Curitiba

  Luis Cilho no programa "Manos e MInas" da TV Cultura (SP) - sd Quando a segunda geração do rap nacional (a saber, Emicida, Criolo, Projota e Rashid)   começou a fazer sucesso ali por volta de 2011, fiquei bastante impressionada. O rap nunca foi um estilo bem visto pelo mundo da música, pelo menos não no mundo que eu estava. Havia um preconceito de linguagem, o que o pessoal do rap fazia era completamente diferente do que se ensinava na universidade. Havia também um preconceito social, o rap nacional vinha da periferia de São Paulo e a morte do rapper Sabotage em 2003 só piorou as coisas. Por isso, quando o sucesso veio para a segunda geração pensei: como esses caras conseguiram superar tantos obstáculos? Em busca de respostas passei a acompanhar de perto o trabalho de alguns nomes de sucesso daquele cenário. Apesar de conhecer alguma coisa do pessoal da primeira geração , praticamente deixei de lado o rap enquanto fui professora de música na escola pública (2005 - 2...

Janine Mathias, a Lauryn Hill do rap curitibano

  Janine Mathias (Foto: Renato Nascimento) Minha memória não é mais confiável, mas acredito que vi a Janine Mathias pessoalmente também uma única vez. Ela entrou numa loja de discos e CDs que ficava ali no Largo da Ordem, ao lado da Igreja da Ordem, a Igreja mais antiga de Curitiba. Eu estava na loja olhando o acervo, garimpando, como se diz hoje em dia, uma prática que desenvolvi desde a adolescência. Era final de 2012, ou início de 2013, não vou lembrar. Ela conversou com a atendente por alguns minutos, deixou um material e saiu.  Depois que olhei o que tinha pra olhar, passei no balcão e vi no mostruário o EP "Eu Quero Mergulhar". Pensei: caramba! A Janine Mathias acabou de entrar aqui e deixou o EP pra vender e não falei com ela! Comprei na hora. Lembro de ter pensado, um dia essa guria vai ser uma grande cantora e vou ter essa história pra contar. Eu posso estar delirando, mas tenho esse EP aqui nas minhas coisas e puxando pela memória foram essas lembranças que vieram. ...

Davi Black, um dos nomes fundamentais da primeira geração do rap curitibano

  Davi Black (Divulgação) Acho que a primeira vez que reparei no Davi Black foi em 2003, ele saiu na "Coleção Os 4 Elementos da Nova Música Paranaense", uma coletânea de 4 CDs lançada e distribuída pelo jornal curitibano Gazeta do Povo. A coletânea era dividida em 4 temas: Vol.1 Água (Onda Reggae), Vol.2 Ar (Atmosfera Pop), Vol.3 Terra (Raízes do Universo) e Vol.4 Fogo (Explosão Rock). A música era "Aí Barão", faixa que abria o Vol.2 (Atmosfera Pop), prestei atenção nela por que havia um sample de "Wish you were here", um clássico da banda de rock britânica Pink Floyd, de 1975. Foi a única faixa de rap naquela coletânea de 4 CDs. De qualquer forma, essa iniciativa da Gazeta do Povo levou o nome de Davi Black e do rap curitibano para boa parte do Paraná, incluindo os municípios da Região Metropolitana de Curitiba e cidades como Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. Essa ideia da Gazeta não era totalmente original, alguns meses antes, em dezembro de 20...

Karol Conká e Batuk Freak, um capítulo na história do rap nacional

Karol Conká (Divulgação) Nunca me encontrei pessoalmente com Karol Conká, mas trombei casualmente com o Nave, uma única vez. Foi ali nas Mercês, um bonito bairro, próximo do Centro de Curitiba. Eu voltava de uma Feira de Vinil ali perto e ele, provavelmente, estava indo pra lá. Não sei se sabia que ele era produtor musical e que trabalhava com rap. Não sei como ele me conhecia, a gente se cumprimentou numa esquina, conversamos alguma coisa, não lembro exatamente o assunto. Durou uns três minutos e nos despedimos. Isso foi em 2012, não sei como, mas eu sabia que ele era o Nave, o Bira deve ter me falado. O Bira foi o primeiro cara do rap que conheci, ele cresceu em Itaquera, zona leste de São Paulo, mas veio morar em Curitiba, era difícil encontrar alguém mais do rap do que ele. Eu não sabia, mas nessa época, Nave estava trabalhando em um álbum que mudaria a história do rap nacional, o Batuk Freak da Karol Conká. Tenho uma história antiga com o rap, mas nessa época, estava me aproximand...

Por quê Helinho Pimentel não está na minha lista dos 500 nomes mais marcantes da música curitibana?

  Helinho Pimentel (1956 - 2026) Pois é, também fiquei surpresa. Depois que soube do falecimento do Helinho Pimentel (30 de agosto), fui procurar pra ver se tinha colocado o nome dele na minha fatídica lista. Não estava. Pensei, esqueci. Como fui esquecer o cara que talvez seja o nome mais importante da música curitibana? Não é uma resposta simples. Fui poucas vezes à Pedreira Paulo Leminski, pelas minhas contas foram três, AC/DC em 1996, Caetano Veloso & Marisa Monte em 1998 e Guns n' Roses em 2016. Nunca fui ao Ópera de Arame e tocar na Pedreira era um delírio tão grande que não acontecia nem em sonho. Não tenho carro, e ir de ônibus é inviável, não é pra mim. Em algum momento soube que o Helinho era CEO daquele complexo e sócio da empresa que administra o espaço. Pensei, esse cara é de outra classe social, é praticamente impossível esbarrar com ele por aí. E era mesmo, em quase trinta anos envolvida com a música curitibana, nunca o vi em lugar nenhum.  Demorei a saber q...

Os professores mais legais que já tive

  Romeu Gomes de Miranda Romeu Gomes de Miranda foi meu professor de portugês e literatura do Ensino Médio (antigo 2º Grau) no Colégio Estadual do Paraná em Curitiba entre 1989 e 1992. Foi o primeiro professor que leu e valorizou meus poemas e me indicou um caminho estético para seguir. Nasceu em Mafra (SC), fez Licenciatura em Letras na PUC (PR) e é Mestre em Filosofia da Educação. Foi o primeiro presidente negro da  APP - Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná) entre 1996 e 2002. Lançou o livro "Um trem para Leontina" em 2018. Atualmente está aposentado de suas funções. Consuelo Schlichta  Consuelo Schilichta foi minha professora de "Fundamentos teóricos e metodológicos do ensino de Artes Visuais" no meu curso de Música na UFPR (o curso também abrangia outras linguagens artísticas) entre 1998 e 2002. Foi ela quem disse que meu pensamento era "existencialista". Nasceu em Osório (RS), fez Licenciatura Plena em Desenho na EMBAP, Mestr...

Oito livros sobre música que marcaram minha vida

  A Divina Comédia dos Mutantes (1995) - Carlos Calado No final da Graduação em Música (1998 - 2002) escolhi pesquisar sobre rock no TCC e por influência do guitarrista da minha banda cheguei aos Mutantes. Na época, livros sobre rock, brasileiro ou não, eram raros, mas por sorte havia essa biografia dos Mutantes, que foi fundamental para o meu trabalho. Rita Lee faleceu em 2023, aos 75 anos. BRock - O Rock Brasileiro dos anos 80 (1995) - Arthur Dapieve Um dos primeiros livros sobre rock brasileiro, peça importante para a montagem do meu trabalho na Graduação. O jornalista Arthur Dapieve está com 62 anos. Noite Tropicais (2000) - Nelson Motta  Meu primeiro mergulho profundo na música brasileira, era inviável pesquisar sobre Os Mutantes sem saber os caminhos estéticos da nossa música popular. O jornalista e compositor Nelson Motta está com 81 anos. Cutlura Brasileira, Utopia e Massificação (1950 - 1980) (2001) - Marcos Napolitano Marcos Napolitano, na época da minha Graduação (1...

Sete livros internacionais que marcaram minha vida

O sol é para todos (1960) - Harper Lee Pois é, acho que talvez esse tenha sido o segundo livro que li, lá nos anos 80, não vou lembrar. Eu tinha decorado a primeira frase do romance. Não sei se entendi direito o que era racismo quando li, mas me lembro bem da Scout, do Jem (irmão da Scout) e do Aticus, pai deles. Harper Lee morreu em 2016, aos 89 anos, esse é o único livro da autora americana. Em 2015 lançaram um rascunho, uma primeira versão de "O sol é para todos", mas não vale a pena mencionar. Pollyana (1913) - Eleanor H. Porter Outra autora americana, talvez esse tenha sido o segundo que li, também nos anos 80, minha memória já não é mais confiável. Pollyana era uma menina que quando lhe acontecia algo ruim ela fazia o "jogo do contente", algo que me ajudou muito pela vida afora. Eleanor H. Porter morreu em 1920, aos 51 anos. Bom dia, tristeza (1954) - Françoise Sagan Uma escritora francesa, li talvez no final da adolescência, início da idade adulta, nos anos 9...

Nove livros nacionais que marcaram minha vida

  O meu pé de laranja lima (1968) - José Mauro de Vasconcelos "O meu pé de laranja lima" foi o primeiro livro que li, acho que tinha doze ou treze anos, por volta de 1986 ou 1987. O sonho do garoto Zezé (personagem principal) é tornar-se poeta, acredito que esse desejo vá me influenciar mais adiante na vida. Soube que José Mauro de Vasconcelos faleceu pouco antes de eu ler o livro, em 1984, aos 64 anos. O Guarani (1857) - José de Alencar Não tenho certeza se foi o segundo livro que li, mas fiz a leitura talvez em meados da adolescência, ali por catorze anos, em 1988. O índio Peri é um herói e tanto, a Ceci também, me empolguei muito com a história. Adolescência é assim, cheia de fantasias. Confissões de Adolescente (1992) - Maria Mariana Também não tenho certeza se foi minha terceira leitura em ordem cronológica, mas foi o primeiro livro que comprei. Eu trabalhava a noite numa fábrica de macarrão e lasanha e com meu primeiro salário fui na antiga Livrarias Ghignone, ali na Ru...

Cristiane Costa Cores une MPB contemporânea e Pós-Punk em "Margem"

  Com lançamento marcado para 20 de agosto, a faixa, com versão cantada e instrumental, traz guitarras marcantes de William Beer, mixagem de Luis Cilho e projeto visual em parceria com Gege Valentino, previsto para 23 de agosto.  Curitiba, agosto de 2026 – A compositora e produtora musical Cristiane Costa Cores anuncia o lançamento de seu mais novo single, "Margem", programado para o dia 20 de agosto no streaming. A obra propõe um diálogo entre a MPB contemporânea e a intensidade e texturas experimentais do pós-punk.  A faísca criativa para o single surgiu de forma espontânea. Ao sintonizar no programa Bora Lá, comandado por Karina Koguta na Mutante Rádio, Cristiane foi apresentada a universos sonoros até então desconhecidos por ela. Essa imersão deu o impulso necessário para que a artista cruzasse fronteiras estilísticas e materializasse a sonoridade de "Margem". Inclusive, o pré-lançamento exclusivo das duas versões de “Margem” acontecerá no mesmo progr...

A última lição de Jeff Beck

  Johnny Depp e Jeff Beck (Divulgação) Sempre toquei mal guitarra (e violão também), vez ou outra alguém disse que eu tocava bem, mas em geral, no tempo da universidade, ouvia: "Lúcia não toca nada", "Lúcia não merece tocar na banda que toca", no caso, na época, estava tocando baixo. Fiquei com isso, mesmo depois de ter gravado um EP de violão solo.  Não sabia que o ator Johnny Depp tocava guitarra, fiquei sabendo ao vê-lo com o grupo Hollywood Vampire, uma banda formada por Depp, Alice Cooper e Joe Perry. Ao vê-lo tocar pensei o que quase todo mundo pensou, esse cara não toca nada, está aí por que é o Johnny Depp! O que, vamos combinar, é verdade. Se ele dependesse exclusivamente das suas qualidades musicais, não chegaria longe. Mas está cheio de gente, que não toca nada, fazendo um sucesso estrondoso por aí e não dei mais bola para o Hollywood Vampire. Tomei a banda como um projeto caça níquel. Jeff Beck conheceu pessoalmente Johnny Depp aos 72 anos, no segundo se...

Tela Vazia, banda de rock alternativo, lança seu primeiro álbum

  Foto: Divulgação Iniciação é um álbum de rock alternativo, com influências do pós-punk e do rock brasileiro dos anos 1980. A primeira parte do álbum é formado por “ Iniciação” , “Taxímetro” e “Morto” , três faixas que abordam diferentes questões, mantendo entre si uma sonoridade mais próxima dentro do álbum. 1. Iniciação: A letra celebra todos os rituais de Iniciação e carrega toda a jornada no seu instrumental experimental. 2. Taxímetro: “Esta vida é uma viagem pena eu estar só de passagem.” Paulo Leminski O Poema do nosso célebre conterrâneo exemplifica a contagem do tempo, e como na letra de ‘“Taxímetro”, a busca do mundo novo desde os ancestrais. 3. Morto: A epidemia do atraso e da desumanização. Algo que acontece na política e em nossas relações como sociedade, onde o indivíduo adoece e torna - se um “morto- vivo.” Em breve, as outras duas etapas de Iniciação serão lançadas, completando as nove faixas do álbum. A primeira fase será celebrada no dia 28 de agosto, no Jo...