Helinho Pimentel (1956 - 2026)
Pois é, também fiquei surpresa. Depois que soube do falecimento do Helinho Pimentel (30 de agosto), fui procurar pra ver se tinha colocado o nome dele na minha fatídica lista. Não estava. Pensei, esqueci. Como fui esquecer o cara que talvez seja o nome mais importante da música curitibana? Não é uma resposta simples.
Fui poucas vezes à Pedreira Paulo Leminski, pelas minhas contas foram três, AC/DC em 1996, Caetano Veloso & Marisa Monte em 1998 e Guns n' Roses em 2016. Nunca fui ao Ópera de Arame e tocar na Pedreira era um delírio tão grande que não acontecia nem em sonho. Não tenho carro, e ir de ônibus é inviável, não é pra mim. Em algum momento soube que o Helinho era CEO daquele complexo e sócio da empresa que administra o espaço. Pensei, esse cara é de outra classe social, é praticamente impossível esbarrar com ele por aí. E era mesmo, em quase trinta anos envolvida com a música curitibana, nunca o vi em lugar nenhum.
Demorei a saber que foi ele o idealizador e fundador da lendária rádio Estação Primeira, emissora que ouvi muito nos anos 80, no rádio da falecida minha mãe. Passava horas na frente daquele aparelho e a Estação era a que mais ouvia, mas não era a única. Detalhe, eu já conhecia algumas bandas de rock antes da Estação, tive a sorte de conhecer um cara que tinha uma discoteca na rua atrás da minha, lá na Vila Trindade. Mas confesso, sem o Helinho, talvez eu não fosse o que sou hoje, alguém que escreve sobre rock curitibano e faz listas sem sentido e ainda não coloca o nome dele.
Soube recentemente que ele foi parceiro do Ivo Rodrigues em duas músicas, "Loba da Estepe" e "Dias incertos", gravadas pelo Blindagem. Pois é, não sabia. Não conheço profundamente a obra da banda. Também soube que ele andava com o pessoal da Chave, também não sabia. O vi poucas vezes na TV, nunca vi nenhuma entrevista, agora, depois do falecimento, apareceram algumas no You Tube. Talvez ali eu obtenha algumas respostas das perguntas que faria se um dia o encontrasse.
Percebi que muita gente o conhecia pessoalmente, não sabia. Deu a impressão que ele não gostava de aparecer, por que ninguém nunca falava que o conhecia? Por que só agora? Será que era por causa de um possível assédio das bandas? Será que o pessoal das bandas locais o incomodavam ou era só timidez? Por que um cara tão importante não falava com a imprensa? Uma entrevista na RPC ou no Bem Paraná, ou mesmo na, vamos dizer incompreensível, Gazeta do Povo? A RPC ultimamente não fala uma linha sobre bandas, sejam internacionais, nacionais ou locais, a não ser pra falar do trânsito ou das filas de fãs. Nenhum artista, nenhuma reportagem sobre a história da banda, nada sobre o disco novo que talvez estejam lançando, e nada do Helinho falar qualquer coisa. A RPC se limitou a ler uma nota de falecimento, nenhuma reportagem especial, depoimentos sobre o seu legado empresarial ou musical, nada. A RPC não gostava dele? Nunca vou saber.
É por causa dessas coisas que esqueci de colocar o nome dele na minha fatídica lista. Ele não aparecia em lugar nenhum, não montou nenhuma banda, não gravou nenhum disco e só se encontrava com os caras que fizeram parte do seu círculo íntimo. Para mim ele era apenas um grande empresário que não falava com ninguém, uma sombra, quase uma lenda. É isso, ele acabou se tornando uma lenda.
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