
DJ Primo (1980 - 2008) - Foto: Joca Vidal
Em agosto de 2013, o Bira me chamou para uma feira de vinil em um restaurante francês, ali no Batel, um bairro elegante de Curitiba, atualmente um dos dez mais caros do Brasil. Na época eu tinha uma pequena loja de vinil online, a Lado A Discos, e levei pra vender alguns discos do estoque para tentar a sorte. Enquanto os disqueiros arrumavam nas mesas seus materiais, esbarrei sem querer num cara magrinho, ele me encarou de cima a baixo, como que procurando saber se tinha sido de propósito, viu que não foi, e fizemos uma amizade ocasional.
Esse cara magrinho era o DJ Baqueta, uma das figuras mais importantes e respeitadas do hip-hop da cidade. Nas conversas que se seguiram ele me disse que aqueles discos, que estava vendendo, eram do acervo do DJ Primo. Acabei não dando muita atenção, não sei ao certo, mas é possível que tenha sido a primeira vez que ouvi falar em um dos melhores DJs da história do rap nacional. Naquela época já fazia cinco anos que o DJ Primo tinha falecido, e o nome dele não circulava tanto, pelo menos, não por onde eu andava.
Alexandre Muzzilo Lopes, mais conhecido como DJ Primo, nasceu em Curitiba em junho de 1980, e tenho a impressão que ele está na passagem entre a primeira e a segunda geração do rap curitibano. Começou trabalhando na emblemática loja Spin, um dos pilares da cultura hip-hop da cidade nos anos 1990, ali na antiga Galeria Mounif Tacla, em frente à Praça Generoso Marques, bem no centro da capital.
A Spin vendia discos de rap, moda streetwear e acessórios para o pessoal do hip-hop, e foi lá em 1997, que Primo viu e mexeu em um toca-discos pela primeira vez. Ficou tão bom como DJ que em 2002 se mudou para São Paulo e lá teve uma ascensão meteórica no rap nacional. Trabalhou com Marcelo D2, Emicida, Negra Li e foi DJ oficial do programa Manos e Minas da TV Cultura. Um dos pontos altos da sua carreira foi dividir o palco com Afrika Bambaataa (1957 - 2026), um dos fundadores do hip - hop mundial.
No início de setembro de 2008, DJ Primo contraiu uma pneumonia, o médico recomendou repouso absoluto e sugeriu que não fosse trabalhar. Por alguma razão ele desobedeceu e cumpriu agenda nos dias seguintes. A pneumonia avançou e ele foi internado às pressas no Hospital das Clínicas de São Paulo no dia 08 de setembro, onde teve uma parada cardíaca às 5h da manhã. DJ Primo tinha 28 anos.
Quando conheci o Cabes MC, em 2013, dei a ele o compacto "Planet Rock" do Afrika Bambaataa, lançado em 1982, sua música mais famosa e revolucionária. Quando o reencontrei, esse ano, ele me disse que ainda tem o compacto guardado. Pouco depois daquele encontro com o Cabes - provavelmente em 2014, comprei pra revender o álbum "Non Ducor Duco", disco de estreia do rapper de São Paulo, Kamau. Eu não sabia, mas o álbum tinha sido lançado em agosto de 2008 e a produção musical ficou a cargo do DJ Primo. Demorei a vender os dois exemplares que havia comprado e pesquisando pra escrever este texto descobri que aquele disco tinha sido seu último trabalho.
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