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Nove livros que marcaram minha vida

 

O meu pé de laranja lima (1968) - José Mauro de Vasconcelos

"O meu pé de laranja lima" foi o primeiro livro que li, acho que tinha doze ou treze anos, por volta de 1986 ou 1987. O sonho do garoto Zezé (personagem principal) é tornar-se poeta, acredito que esse desejo vá me influenciar mais adiante na vida. Soube que José Mauro de Vasconcelos faleceu pouco antes de eu ler o livro, em 1984, aos 64 anos.


O Guarani (1857) - José de Alencar

Não tenho certeza se foi o segundo livro que li, mas fiz a leitura talvez em meados da adolescência, ali por catorze anos, em 1988. O índio Peri é um herói e tanto, a Ceci também, me empolguei muito com a história. Adolescência é assim, cheia de fantasias.


Confissões de Adolescente (1992) - Maria Mariana

Também não tenho certeza se foi minha terceira leitura em ordem cronológica, mas foi o primeiro livro que comprei. Eu trabalhava a noite numa fábrica de macarrão e lasanha e com meu primeiro salário fui na antiga Livrarias Ghignone, ali na Rua XV, aqui em Curitiba. Estava com dezenove anos (1993), mas já trabalhava desde os quinze. Essa leitura é um dos primeiros sinais da minha disforia de gênero, na época, era um livro voltado para meninas, mas ninguém me incomodou por isso. Elas tinham uma vida muito diferente da minha. Considero Maria Mariana, Ingrid Guimarães e Débora Secco (ela não participou do livro, apenas da série) minhas primeiras amigas, apesar da gente nunca ter se visto. Todas nós somos mais ou menos da mesma idade.


Café com Bolachas (1993) - Michel Winter

Comecei a escrever poesias ali pelos dezesseis ou dezessete anos (1991/1992), talvez por influência do Zezé, o menino de "O meu pé de laranja lima". Nessa época também li "Flor de Poemas", uma antologia poética da Cecília Meireles. Aos dezenove anos resolvi fazer uma espécie de "antologia" também, selecionei meus "melhores" poemas e datilografei tudo. Fui numa copiadora, perto do Passeio Público, e pedi pra encadernar. Fiz apenas uma cópia, que tenho até hoje. Não sabia mais o que fazer dali pra frente para que o livro chegasse ao formato final. Michel Winter foi um pseudônimo que inventei, na época, além da disforia, também tinha problemas com meu nome original.

As Aventuras de Catherine (2000) - Hugo de Souza Vieira

"As Aventuras de Catherine" é o primeiro e único livro do meu irmão. Apesar de termos tido a mesma criação (ele é um ano e oito meses mais novo que eu), a vida dele foi bem diferente. É um pequeno romance infanto - juvenil, mais tarde percebi que é mais um roteiro de filme do que literatura. Ele insistiu muito para eu ler e escrever a apresentação e acabei fazendo. Ele publicou por uma editora, um contrato onde ele pagou pelos custos e a editora entrou apenas com o nome. Acho que com essa publicação comecei a entender como funcionava o mercado editorial. Na época já tinha alguns contos publicados numa revista independente e demos uma entrevista na Rádio Educativa do Paraná, aqui em Curitiba.



Nós passaremos em branco (2011) - Luis Henrique Pellanda

Esse livro me apresentou o cronista curitibano Luis Henrique Pellanda, ele descreve várias situações em torno da pracinha do amor, uma praça no centro de Curitiba e no seu entorno. Nessa época frequentei muito aquela região e me lembrei que me encontrava com uma namorada nessa mesma praça em meados dos anos 90, quando ainda me identificava como menino.



As melhores entrevistas do rascunho vol.2 (2012) - Luis Henrique Pellanda (org.)

O "rascunho"  é um jornal literário curitibano que existe desde o ano 2000 e fui leitora desde o início (hoje não o leio mais), apesar de não entender quase nada. Li essas melhores entrevistas vol.2 (não li o vol.1) pra tentar entender como funciona o processo criativo de um escritor. Esse modelo de livro, elencando entrevistas, vai servir de modelo para meu primeiro livro, que vou publicar alguns anos depois. 


Todas as Entrevistas da Lado A Discos (2016) - Neigmar de Souza Vieira

É meu primeiro livro. Mudei meu foco de escrita para a música popular no início dos anos 2000, achei que se juntasse meus dois talentos, música e escrita, poderia ter alguma chance no selvagem mercado musical brasileiro, doce ilusão. O formato do livro "As melhores entrevistas do rascunho vol.2" me influenciou em como organizar a minha produção. Eu vinha entrevistando músicos, a maioria curitibanos, desde 2004. Quando os blogs explodiram na internet, passei a publicar minhas coisas toda nesse formato, era mais fácil e gratuito. Em 2016 quis colocar em livro esse material, fiz tudo sozinha, sem editora. Vendi ou doei quase toda a tiragem, mas ainda tenho alguns exemplares de reserva técnica. Esse livro marca o fim da minha vida como "menino", no ano seguinte passei por uma crise existencial profunda e a partir de então passei a viver e assinar meus textos como Lúcia Porto.



Todas as Entrevistas da Lado A Discos Vol. II (2021) - Lúcia Porto

Meu segundo livro, continuação do primeiro, como foi organizado "As melhores entrevistas do rasccunho", em dois volumes. Agora sou outra pessoa, mas ainda tinha algumas pendências do passado e não quis jogar tudo fora, e eu tinha que continuar de algum lugar. Esse livro é uma realização mais psicológica do que editorial, é uma prensagem artesanal, com pouquíssimos exemplares, não há nenhum a venda, em nenhum lugar. 

É isso, obrigada por me acompanhar até aqui. Nos vemos por aí, sempre.

Ouça "Nowhere to Run" com os The Commitments, música que esteve na minha cabeça enquanto escrevia esse post.









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