Pular para o conteúdo principal

Até onde a gente quer o que queremos? (A batalha por um laser flip)


Precisa disciplina para tentar fazer algo que nunca fizemos, mais complicado ainda é ter disciplina para sofrer e fazer o que se quer fazer e muitas vezes não chegar aparentemente a lugar nenhum. A sombra da desistência nos persegue dia por dia. Escrevo desde os dezesseis anos, não sou exatamente um escritor profissional e é difícil explicar por que continuo escrevendo, mas bem ou mal tenho minhas realizações. Christian Flores não é exatamente um profissional, mas um skatista capaz de tentar coisas ousadas, entre elas um "laser flip"

"Laser flip" é uma manobra onde o skatista faz o skate girar no ar e depois aterriza, no caso de Flores com o agravante de saltar de uma escada de três lances. Não parecia algo difícil, no entanto, tornou-se a manobra mais difícil da sua vida, levando inacreditáveis dois anos para conclui-la.

Até onde a gente quer o que queremos? Não é uma pergunta fácil de responder, mas algumas coisas me chamaram a atenção nas tentativas frustradas de Christian. A primeira é que ele soube cair, uma queda errada poderia inviabilizar o projeto. Mesmo sabendo cair, Flores quebrou uma costela e bateu a cabeça. Uma vez caí na rua e quebrei o braço, minha vida virou um inferno e uma das últimas coisas que quis fazer foi escrever. Christian também vomitou, pouco antes de conseguir realizar a manobra. Às vezes vomito por causa da enxaqueca, normalmente vou parar no hospital e fico imprestável por um ou dois dias. Ele passou por cima de tudo num período de dois anos por um "laser flip" numa batalha incrível.

Uma lição importante sobre disciplina e persistência.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Seda (álbum) 2022

Não há uma linha condutora que ligue todas as canções, mas uma escuta atenta nos faz perceber toda a riqueza e beleza desse álbum. Todas as letras escritas em um português muito bem construído. O músico  Ades Nascimento , responsável pelo projeto, explica como foi o processo de produção do álbum.  " Em 2018 o Sesi publicou Edital de inscrições para o Núcleo de Música, com as participações  do maestro Isaac Chueke , e dos produtores e compositores Vadeco Schettini e Alexandre Kassin . O Edital ofereceu 12 (doze) vagas para duas semanas de "vivência" na Casa Heitor Stockler e Estúdio Astrolábio. Foi através desse Edital que conheci Luque Diaz . Músico e produtor de uma nova geração (comparada à minha) com excelente conhecimento de produção musical. Multi instrumentista. Conhecedor de ritmos da cultura brasileira, africana e de outras nações, imediatamente rolou uma sintonia entre minhas composições e suas audições. Ao final dessa vivência submeti o projeto sedA - Ades ...

Morre o compositor paranaense Adriano Sátiro Bitencourt

  Morreu hoje (25 de julho de 2026) em Curitiba o compositor, cantor, instrumentista, regente e arranjador musical, além de ator e diretor teatral Adriano Sátiro Bitencourt . A idade e causas do falecimento não foram divulgadas. Abaixo leia matéria escrita pelo músico curitibano Edinho Man sobre Adriano para a Revista Suburbana publicada em 12 de janeiro de 2020. Vida e obra de Adriano Sátiro Bitencourt Eu gosto de “Cu...ritiba, eu quero ir fundo no meio do mundo, aqui é o lugar”, nos anos 90, não sei como ouvi essa música na rádio e achei um barato, não sei como, mas vi que os compositores são: Carlos Careqa, Adriano Sátiro Bitencourt e Oswlado Rios e o tempo e a vida passaram. Recentemente criei o grupo: Arte e Cultura de Curitiba, e á medida que ia interagindo com as pessoas, vi que tinha um integrante chamado Adriano Sátiro Bitencourt, que sempre estava participando, curioso pesquisei o perfil e relembrei que era um dos compositores desta música, fiquei envaidecido e comecei ...

De Michele Mabelle a Mih Costa

Artista marca nova fase e reposiciona sua trajetória Após um período longo de transformações e ressignificações, a cantora e compositora Michele Mabelle inicia uma nova etapa em sua trajetória artística e passa a assinar seus trabalhos como Mih Costa . A mudança de nome reflete um processo profundo de reconstrução interna. Um tempo no qual a artista revisitou sua essência e sua relação com a música. Ao longo de sua trajetória como Michele Mabelle, a artista explorou diferentes possibilidades criativas. “Com Michele Mabelle, pude explorar muita coisa. Ela me ensinou muito, principalmente no cenário do rock. A ligação com o universo dos Beatles me trouxe experiências importantes e a possibilidade de trabalhar alinhada a esse repertório.” Com o passar do tempo, no entanto, o processo criativo passou a refletir mudanças mais profundas. “Em um determinado momento nesse processo, eu entendi que, assim como eu passei por diversas transformações pessoais ao longo desses anos, a arti...