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o fim melancólico do rockeiro curitibano

  quando recentemente a geração z disse em alto e bom som que os rockeiros eram cringe , deu mais ou menos pra entender os motivos, principalmente os rockeiros curitibanos, ou pelo menos, grande parte deles. apesar do constrangimento ainda me considero rockeira , de formação musical e também porque participei de uma das bandas autorais mais importantes da cidade nos anos noventa. mas fora isso, pesquisei a história do rock , publiquei artigos e dois livros independentes, além da formação acadêmica em música , mas não quero abordar a formação universitária pra não soar pedante. o fato, é que muita gente que se diz rockeiro hoje em dia, nunca foi rockeiro de verdade, nunca tocou numa banda , nem que fosse na garagem de casa, não leu as revistas de rock (que infelizmente acabaram), muito menos as biografias das bandas e músicos . nunca foi enganado por donos de bares oportunistas, nem voltou pra casa com o dia amanhecendo, a pé, com o instrumento nas costas, sem um put...

paul mcCartney (poemas e letras 1965 -1999) - onde o poeta encontra o letrista

se paul mcCartney não tivesse se tornado letrista da banda de rock mais influente da história e desenvolvido uma sólida carreira solo talvez tivesse sido um bom poeta , provavelmente por isso, ele não tenha publicado nada no mundo da poesia . na verdade a ideia de publicar uma coletânea dos poemas engavetados de paul foi de linda mcCartney (1941 - 1998) - um presente para o companheiro, no início dos anos 90. ela convidou o poeta e amigo da família adrian mitchell para organizar os escritos, infelizmente quando a coletânea foi publicada em 2001 , linda já havia falecido. ganhei o livro de presente de uma ex - namorada (sim, já tive namoradas ), na época da publicação. demorei vinte anos para completar a leitura, com algumas desistências no caminho, mas na época era muito dispersa para compreender e concluir uma leitura como essa. um pouco da demora é que em 2001 ainda não conhecia  márcio borges , tradutor da coletânea . só fui saber da influência dos beatles na ...

funk carioca - para além das fronteiras do gosto

  frequentadora de baile funk no rio de janeiro foto: vincent rosenblatt (sd) na minha adolescência , final dos anos 80, não havia baile funk em curitiba , se havia, nunca tinha ouvido falar. lembro vagamente de alguns  b. boys dançando break no hall do shopping itália , ali no centro, mas eles eram mais ligados ao hip - hop e só. eu andava com o pessoal do rock e naquele tempo as galeras não se misturavam e os rockeiros nunca foram uns caras que soubessem dançar, pelo menos, não aqueles rockeiros , que curtiam o rock em voga no período. eu sempre quis dançar, cheguei até a comentar no trabalho que queria fazer aulas de ballet , mas os caras que trabalhavam comigo me olharam torto e acabei ficando na minha e aí fui me enfiando no negócio de tocar e ser uma estrela do rock fracassada e acabei esquecendo do pessoal break . quando o funk carioca começou a tocar nas FMs  populares de curitiba , em meados dos anos 90, simplesmente não dei atenção . mas era impossível ...

arquivo digital: lúcia porto

venho trabalhando seriamente com música desde 1997 , quando fui ser cobradora de ônibus para pagar o curso pré - vestibular e entrar na universidade pública . ter entrado para o curso de música da universidade federal do paraná em 1998 foi uma vitória significativa, mas estava completamente despreparada pra lidar com tudo, inclusive comigo mesma. da minha primeira banda em 1998 ( stanley dix - ainda na universidade ) ao meu primeiro EP -  "violão solo" de 2020 , dos registros sonoros do tempos de professora de educação musical (2005 - 2011) ao meu primeiro livro de entrevistas -   todas as entrevistas da Lado A Discos  ( 2016 ), do início da minha terapia ( 1999 ) a aceitação da minha condição de  mulher trans ( 2017 ), havia vários registros . de alguma forma achei que poderia delinear uma linha do tempo e construir um arquivo digital , até pra encerrar, de maneira simbólica, esse período da minha vida e ver o que poderia ser utilizado dali pra fr...

raul de souza

raul de souza foto: silvio aurichio nunca falei pessoalmente com o trombonista raul de souza (1934 - 2021), no início dos anos 2000 eu caminhava com um amigo pela região da biblioteca pública do paraná em curitiba , e esse meu amigo o reconheceu sentado em um café: - olha ali o raul de souza , vamo lá pedir um autógrafo? não fui, era muito envergonhada na época, pensei: outra hora eu pego, mas eu sabia que ele era um músico brasileiro importante, inclusive fora do brasil, e que tinha praticamente começado a carreira na curitiba dos anos 50 , mais ou menos na mesma época do violonista waltel branco (1929 - 2018). provavelmente raul de souza estava em  curitiba para algumas apresentações no "palácio avenida" ali no calçadão da xv de novembro (minha memória já não é mais confiável), aquele meu amigo já tinha me avisado do show e comprei ingresso para o dia 29 de maio de 2004 , se não me engano, um domingo a noite. ingresso - show de raul de souza em curitiba - mai. 20...

foco - a atenção e seu papel fundamental para o sucesso - daniel goleman

uma das minhas questões psicológicas é a falta de foco, não consigo me manter focada em um assunto por muito tempo, outra questão é que, uma vez focada, não consigo parar, e por fim a troca de foco, ou seja, tenho dificuldades de sair de um assunto para outro.  não preciso dizer que essa dificuldade com o foco de atenção prejudicou, e muito, minha vida profissional, social e também psicológica. consciente disso, comprei em 2014, o livro "foco - a atenção e seu papel fundamental para o sucesso" , do psicólogo norte - americano daniel goleman . 2014 foi bem antes da minha internação psiquiátrica, ocorrida em 2017, o autor entrou numa fila interminável de livros que tenho pra ler, e sua vez chegou apenas agora em 2021, sete anos depois. dentro da terapia, que realizo desde que saí da internação, minha terapeuta faz comigo uma sessão de relaxamento, que resumindo, é direcionar a mente para alguns movimentos do corpo físico que quase não percebemos, como a respiração. no entanto, ...

norberto pappo napolitano - a maior lenda do rock e do blues sul - americano

o guitarrista, compositor e vocalista argentino norberto pappo napolitano quando norberto pappo napolitano morreu, em 25 de fevereiro de 2005 , eu não sabia praticamente nada sobre rock argentino . não que eu saiba muito hoje em dia, mas de lá pra cá, conheci mais alguns nomes, considerados básicos, pra qualquer um que se considere rockeiro . não lembro exatamente as datas, mas é provável que, quando a notícia chegou aos frequentadores da vinyl club (lendária loja e ponto de encontro de colecionadores de discos em curitiba ), eu já tivesse ouvido falar do aeroblus , sua banda mais famosa.  vez por outra aparecia lá na vinyl club um baterista de são paulo , de sotaque bem carregado, os frequentadores me diziam que se chamava rolando castello júnior e que era baterista da patrulha do espaço -  eu dava de ombros, por que, pra ser sincera, nunca tinha sequer ouvido falar na banda. mas, deixando de lado a questão de eu estar completamente perdida, o fato é que aquele bater...