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Carta de amor ao Rock n' Roll

Quero que saiba que se não fosse por você não teria me formado , as pessoas em geral não o associam ao estudo , mas sei que todos os grandes do Rock estudaram. Talvez não da maneira formal, mas ninguém sai do lugar sem estudar ao menos um pouco. As coisas não saíram muito bem do jeito que planejei, mas acredito que em outro lugar não iria muito longe. A verdade é que sempre fui um aluno mediano e não fui assim aquele destaque. A gente tem muitas limitações e não percebe, mas fui superando as minhas estudando um assunto que sempre me seduziu, você no caso. Por sua causa perdi um amor, mas não daria certo de qualquer forma se eu gostava mais de você. Não sei se me acha assim um roqueiro de verdade, mas acredito que não preciso ficar provando que sou isso ou aquilo, como disse um amigo meu, quem me conhece sabe quem sou. Gosto de pouca coisa na vida, sou anti social , enjoado demais, cheio de manias , tem dias que eu mesmo não me suporto . Gostar de você me tirou da solid...

Guns N' Roses na Pedreira (O fim da inocência)

Foto: Tribuna do Paraná. O Rock n' Roll é a maior ilusão que existe. É como um conto de fadas, a gente se empolga com a história, se identifica com os personagens, aprende algumas lições, mas a realidade é bem outra. O Guns N' Roses já foi a banda mais perigosa do planeta, uns fora - da - lei que atormentavam a vizinhança.  Eu aos 17 anos achava o máximo. Aos 42 perdi a inocência. De qualquer forma continuo achando os caras legais. Fizeram um show ok com vários bons momentos e é sempre bom voltar a Pedreira , um lugar especial pra mim e pra cidade. Encontrei alguns amigos dos tempos de colégio e fiquei pensando como pautamos nossa vida em torno da ilusão do mundo do Rock , que apesar de todos os problemas sempre estivemos por ali vivenciando cada show dessa história sem fim. Esbarrei também com o João e a Dayane (o casal mais rock n' roll da cidade), a gente esteve junto na lendária excursão para o Rio para o show dos Stones em Copacabana , há exatos 10 ano...

Os últimos rockstars

Meninos em Fúria . Marcelo Rubens Paiva e Clemente Tadeu Nascimento. Não sei exatamente o que faz a gente querer ser um rockstar , acreditei nisso meio sem olhar. Foi só andar com uns caras, subir no palco a primeira vez e pronto, estava feito o estrago. O legal é saber que outras pessoas pensaram exatamente como eu. Alguns tornaram - se rockstars , outros não. Pertenço aos que não. Eu vim do hard rock dos 70. Na universidade fui pesquisar sobre Os Mutantes e na pós entrei pela MPB , sabia pouco sobre o punk no Brasil, apenas de passagem e de certa forma pensava que tinham pego o bonde errado. Mas a verdade é que sem o punk , provavelmente o rock teria morrido. E aí provavelmente eu não teria cursado uma graduação em música e também não estaria por aqui. Curiosamente eles não queriam ser rockstars , um "sem querer querendo", pelo menos não como os rockstars dos 70, mas todo mundo sabe sobre Joey Ramone , Johnny Rotten e no Brasil, Clemente . Menino...

Realizações

Ter publicado um livro , é de certa maneira, uma realização . Mesmo já tendo publicado antes um trabalho da Pós - "A informação Rock na MPB" , monografias em geral, são praticamente "trabalhos escolares". "Todas as entrevistas da Lado A Discos" acaba sendo meu primeiro trabalho profissional. É interessante por que poderia ter escrito sobre vários assuntos, as resenhas que fiz para jornal, os shows que assisti, a experiência como professor de música na escola pública, as bandas das quais fiz parte, enfim. No entanto, optei por tentar entender como outras pessoas fizeram o que tentei fazer. Foi uma maneira de não me sentir tão solitário nesse caminho. O trabalho que tenho desenvolvido está muito ligado a escrita. Venho buscando espaço desde os tempos da Graduação e apesar das dificuldades cheguei ao primeiro livro . É motivo pra comemoração . A gente pode pensar em um monte de coisas, que o brasileiro não lê, que ninguém ganha dinheiro com liv...

Boxe, uma quase paixão

Cena do filme "Menina de Ouro" . Não sei como começar, talvez pela infância quando tive algumas lições de um velho boxeador que era nosso vizinho de muro ou quem sabe pela primeira vez que vi "Rocky, um lutador" na TV, a verdade é que o boxe quase tornou-se uma paixão. Mas daí veio a música e as coisas mudaram de rumo... Fui uma criança meio briguenta, mas que apanhava... Uma vez no 2º Grau , um cara me deu um soco no nariz e passei a noite no hospital, mas foi uma tentativa de assalto...  Meu interesse pelo boxe voltou quando apareceu o filme "Menina de Ouro" em 2004. Mais tarde soube que o filme tinha sido baseado em uma coletânea de contos de um autor desconhecido chamado F.X. Toole . Comprei o livro em 2005 que no Brasil também se chamou "Menina de Ouro" , fiquei tão empolgado que escrevi um conto sobre boxe que posteriormente publiquei por conta própria, mas que infelizmente não guardei nenhum exemplar. Comecei a ler na épo...

Havana Moon (Rolling Stones em Cuba)

Cuba é um assunto que levanta opiniões apaixonadas. Na adolescência eu andava com uma camiseta do Che e toda minha formação política vinha de andar com o pessoal do Grêmio Estudantil , então Cuba pra mim era sinônimo de resistência. Tenho respeito por Che e toda a sua história, mas em algum momento no início da idade adulta percebi que ele tinha sido uma figura controversa e a verdade era que eu sabia pouco do que realmente acontecia em Cuba administrada por Fidel . O problema com Cuba era mais sério do que aquele menino nascido no sul do Brasil , filho de pais nordestinos poderia imaginar. Havia um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde 1960 que fez a Ilha parar no tempo. Em 1998 uma professora da universidade me falou do documentário Buena Vista Social Club  que estava no cinema. Na época soube que Ry Cooder guitarrista norte americano e produtor do disco teve problemas dentro dos Estados Unidos por causa do embargo econômico a ...

Zizi Possi (Per amore)

Per amore lançado pela Zizi em 1997 é um disco que tem um pé na ópera , quer dizer, no canto lírico por que ópera é outra coisa... Mas você entendeu o que eu quis dizer. Ela tem uma influência erudita e estudou composição e regência na UFBA (Universidade Federal da Bahia), sem concluir. É o trabalho que ouço mais próximo do  canto lírico .  Eu não gosto de ópera , de canto lírico em geral, mas respeito quem gosta. No meu caso é ignorância mesmo, sei pouco sobre o assunto, o básico do básico. Ópera é uma história, é a junção do teatro com a música , é mais ou menos isso, cheia de personagens e tudo mais. Per amore  não é uma ópera mas é estruturado mais ou menos como se fosse. Zizi é descendente de italianos de Nápoles  e o disco é uma homenagem aos seus antepassados que vieram para o Brasil como imigrantes .  As gravações são todas em italiano e as canções napolitanas escolhidas para o álbum mais ou menos descrevem as agruras dos imigrantes...